Patanjali — séc. II a.C.

Yoga Sūtras de Patañjali

महर्षि पतञ्जलि प्रणीतं योगदर्शनम्

4 padas (capítulos) • 196 aforismos

Capítulo I — Samādhi Pāda

॥ समाधि-पादः ॥ — Sobre a Concentração


#### 1.1–1.4 — Definição do Yoga

1.1 अथ योगानुशासनम्

Agora, a instrução sobre o Yoga.

1.2 योगश्चित्तवृत्तिनिरोधः

Yoga é a cessação das modificações da mente (chitta-vṛtti-nirodhaḥ).

1.3 तदा द्रष्टुः स्वरूपेऽवस्थानम्

Então, o Vidente repousa em sua própria natureza essencial.

1.4 वृत्तिसारूप्यमितरत्र

Em outros momentos, há identificação com as modificações.


#### 1.5–1.11 — As cinco modificações da mente

1.5 वृत्तयः पञ्चतय्यः क्लिष्टाऽक्लिष्टाः

As modificações são de cinco tipos — dolorosas e não dolorosas.

1.6 प्रमाणविपर्ययविकल्पनिद्रास्मृतयः

São elas: o conhecimento correto (pramāṇa), o conhecimento errôneo (viparyaya), a imaginação (vikalpa), o sono (nidrā) e a memória (smṛti).

1.7 प्रत्यक्षानुमानागमाः प्रमाणानि

O conhecimento correto provém da percepção direta, da inferência e do testemunho autêntico.

1.8 विपर्ययो मिथ्याज्ञानमतद्रूपप्रतिष्ठम्

O conhecimento errôneo é o falso conhecimento não fundamentado na forma real do objeto.

1.9 शब्दज्ञानानुपाती वस्तुशून्यो विकल्पः

A imaginação é uma modificação seguida de uma palavra cujo objeto não tem existência real.

1.10 अभावप्रत्ययालम्बना वृत्तिर्निद्रा

O sono é a modificação apoiada na percepção da ausência.

1.11 अनुभूतविषयासम्प्रमोषः स्मृतिः

A memória é a não-subtração de um objeto que foi experimentado.


#### 1.12–1.16 — Abhyāsa e Vairāgya

1.12 अभ्यासवैराग्याभ्यां तन्निरोधः

A cessação dessas modificações se dá pela prática (abhyāsa) e pelo desapego (vairāgya).

1.13 तत्र स्थितौ यत्नोऽभ्यासः

Dentre esses dois, a prática é o esforço para permanecer estável nessa cessação.

1.14 स तु दीर्घकालनैरन्तर्यसत्कारासेवितो दृढभूमिः

Essa prática torna-se firmemente enraizada quando cultivada por longo tempo, sem interrupção e com dedicação reverente.

1.15 दृष्टानुश्रविकविषयवितृष्णस्य वशीकारसंज्ञा वैराग्यम्

O desapego é o estado de domínio daquele que não tem mais sede pelos objetos vistos ou ouvidos.

1.16 तत्परं पुरुषख्यातेर्गुणवैतृष्ण्यम्

O desapego supremo é a indiferença em relação às três qualidades (guṇas), decorrente do discernimento do Puruṣa.


#### 1.17–1.22 — Tipos de Samādhi

1.17 वितर्कविचारानन्दास्मितारूपानुगमात् सम्प्रज्ञातः

O samādhi com cognição (samprajñāta) é acompanhado por raciocínio (vitarka), reflexão sutil (vicāra), alegria (ānanda) e senso de ser (asmitā).

1.18 विरामप्रत्ययाभ्यासपूर्वः संस्कारशेषोऽन्यः

O outro samādhi é precedido pela prática da cessação de todo conteúdo mental, restando apenas os saṃskāras (impressões latentes).

1.19 भवप्रत्ययो विदेहप्रकृतिलयानाम्

Para os que são desencarnados e para os que se dissolvem na natureza primordial, isso é causado pela existência manifestada.

1.20 श्रद्धावीर्यस्मृतिसमाधिप्रज्ञापूर्वक इतरेषाम्

Para os demais, é precedido por fé, energia, memória, samādhi e discernimento.

1.21 तीव्रसंवेगानामासन्नः

Para aqueles de ímpeto intenso, está próximo.

1.22 मृदुमध्याधिमात्रत्वात् ततोऽपि विशेषः

Ainda entre esses, há distinção segundo a intensidade ser suave, média ou extrema.


#### 1.23–1.29 — Īśvara e o Praṇava

1.23 ईश्वरप्रणिधानाद्वा

Ou também pela entrega ao Īśvara (o Senhor).

1.24 क्लेशकर्मविपाकाशयैरपरामृष्टः पुरुषविशेष ईश्वरः

Īśvara é um Puruṣa especial, não tocado pelas aflições (kleśas), pelos karmas, pelos frutos das ações nem pelos depósitos subconscientes.

1.25 तत्र निरतिशयं सर्वज्ञबीजम्

Nele reside a semente do conhecimento onisciente em grau insuperável.

1.26 स पूर्वेषामपि गुरुः कालेनानवच्छेदात्

Ele é o guru até mesmo dos antigos, pois não é limitado pelo tempo.

1.27 तस्य वाचकः प्रणवः

Sua expressão é o Praṇava (a sílaba Oṃ).

1.28 तज्जपस्तदर्थभावनम्

A repetição desse Oṃ e a meditação sobre seu significado devem ser praticadas.

1.29 ततः प्रत्यक्चेतनाधिगमोऽप्यन्तरायाभावश्च

Disso advém o voltamento da consciência para dentro e também a dissolução dos obstáculos.


#### 1.30–1.39 — Obstáculos e remédios

1.30 व्याधिस्त्यानसंशयप्रमादालस्याविरतिभ्रान्तिदर्शनालब्धभूमिकत्वानवस्थितत्वानि चित्तविक्षेपास्तेऽन्तरायाः

Os obstáculos que dispersam a mente são: doença, inércia, dúvida, negligência, preguiça, intemperança, visão equivocada, não alcançar uma base e instabilidade.

1.31 दुःखदौर्मनस्याङ्गमेजयत्वश्वासप्रश्वासा विक्षेपसहभुवः

Dor, desânimo, tremor do corpo, inspiração e expiração desordenadas são as companheiras da dispersão.

1.32 तत्प्रतिषेधार्थमेकतत्त्वाभ्यासः

Para removê-los, a prática de um único princípio.

1.33 मैत्रीकरुणामुदितोपेक्षाणां सुखदुःखपुण्यापुण्यविषयाणां भावनातश्चित्तप्रसादनम्

A mente se torna serena pelo cultivo de amizade (maitrī) diante dos felizes, de compaixão (karuṇā) diante dos que sofrem, de alegria simpática (muditā) diante dos virtuosos e de equanimidade (upekṣā) diante dos não-virtuosos.

1.34 प्रच्छर्दनविधारणाभ्यां वा प्राणस्य

Ou pela expiração e retenção do prāṇa.

1.35 विषयवती वा प्रवृत्तिरुत्पन्ना मनसः स्थितिनिबन्धिनी

Ou por uma atividade sensorial que surge e produz estabilidade na mente.

1.36 विशोका वा ज्योतिष्मती

Ou pela percepção interior luminosa e livre de sofrimento.

1.37 वीतरागविषयं वा चित्तम्

Ou pela mente que tem como objeto aquele que está livre das paixões.

1.38 स्वप्ननिद्राज्ञानालम्बनं वा

Ou pelo apoio no conhecimento obtido nos sonhos e no sono profundo.

1.39 यथाभिमतध्यानाद्वा

Ou pela meditação sobre o que é desejado.


#### 1.40–1.51 — Samāpatti e Samādhi

1.40 परमाणु परममहत्त्वान्तोऽस्य वशीकारः

Seu domínio se estende do átomo ao infinitamente grande.

1.41 क्षीणवृत्तेरभिजातस्येव मणेर्ग्रहीतृग्रहणग्राह्येषु तत्स्थतदञ्जनता समापत्तिः

Quando as modificações da mente diminuem, a mente, como um cristal translúcido, assume a coloração do que está próximo — seja o percebedor, o ato de perceber ou o percebido — e isso é chamado de samāpatti (absorção cognitiva).

1.42 तत्र शब्दार्थज्ञानविकल्पैः सङ्कीर्णा सवितर्का समापत्तिः

A samāpatti com argumentação (savitarkā) é aquela misturada com conceituações de palavra, significado e conhecimento.

1.43 स्मृतिपरिशुद्धौ स्वरूपशून्येवार्थमात्रनिर्भासा निर्वितर्का

Quando a memória se purifica e a mente brilha apenas como o objeto, sem consciência de si mesma, isso é nirvitarkā.

1.44 एतयैव सविचारा निर्विचारा च सूक्ष्मविषया व्याख्याता

Por esse mesmo princípio são explicadas a samāpatti sutil com reflexão (savicārā) e sem reflexão (nirvicārā).

1.45 सूक्ष्मविषयत्वं चालिङ्गपर्यवसानम्

A sutileza dos objetos vai até o domínio do indiferenciado (aliṅga).

1.46 ता एव सबीजः समाधिः

Todas essas são o samādhi com semente (sabīja).

1.47 निर्विचारवैशारद्येऽध्यात्मप्रसादः

Com a maestria na nirvicārā vem a serenidade interior (adhyātma-prasāda).

1.48 ऋतम्भरा तत्र प्रज्ञा

Aí repousa a prajñā que carrega a verdade (ṛtambharā).

1.49 श्रुतानुमानप्रज्ञाभ्यामन्यविषया विशेषार्थत्वात्

Esse conhecimento difere do conhecimento resultante de escuta e inferência, pois tem por objeto a realidade particular e direta.

1.50 तज्जः संस्कारोऽन्यसंस्कारप्रतिबन्धी

O saṃskāra gerado por essa prajñā obstrui os demais saṃskāras.

1.51 तस्यापि निरोधे सर्वनिरोधान्निर्बीजः समाधिः

Quando também esse é cessado, com a cessação de tudo, surge o samādhi sem semente (nirbīja).


Capítulo II — Sādhana Pāda

॥ साधन-पादः ॥ — Sobre a Prática


#### 2.1–2.11 — Kriyā Yoga e os Kleśas

2.1 तपःस्वाध्यायेश्वरप्रणिधानानि क्रियायोगः

Austeridade (tapas), autoestudo (svādhyāya) e entrega ao Senhor (Īśvara-praṇidhāna) constituem o Kriyā Yoga.

2.2 समाधिभावनार्थः क्लेशतनूकरणार्थश्च

Eles servem para cultivar o samādhi e para atenuar as aflições (kleśas).

2.3 अविद्यास्मितारागद्वेषाभिनिवेशाः क्लेशाः

As aflições são: ignorância (avidyā), sentido do eu separado (asmitā), apego (rāga), aversão (dveṣa) e apego à vida (abhiniveśa).

2.4 अविद्या क्षेत्रमुत्तरेषां प्रसुप्ततनुविच्छिन्नोदाराणाम्

A ignorância é o campo para as demais aflições, sejam elas dormentes, atenuadas, interrompidas ou ativas.

2.5 अनित्याशुचिदुःखानात्मसु नित्यशुचिसुखात्मख्यातिरविद्या

A ignorância é tomar o impermanente pelo permanente, o impuro pelo puro, o sofrimento pelo prazer, o que não é o Si pelo Si.

2.6 दृग्दर्शनशक्त्योरेकात्मतेवास्मिता

A asmitā é como se o poder de ver e o poder da visão fossem uma mesma coisa.

2.7 सुखानुशयी रागः

O apego é o que segue o prazer.

2.8 दुःखानुशयी द्वेषः

A aversão é o que segue a dor.

2.9 स्वरसवाही विदुषोऽपि तथारूढोऽभिनिवेशः

O apego à vida flui por sua própria força e se instala mesmo no sábio.

2.10 ते प्रतिप्रसवहेयाः सूक्ष्माः

Em forma sutil, essas aflições devem ser revertidas ao seu estado original (pratiprasava).

2.11 ध्यानहेयास्तद्वृत्तयः

Suas modificações devem ser eliminadas pela meditação.


#### 2.12–2.25 — Karma e a causa do sofrimento

2.12 क्लेशमूलः कर्माशयो दृष्टादृष्टजन्मवेदनीयः

O depósito de karma (karmāśaya) tem sua raiz nas aflições e é experimentado em nascimentos visíveis e invisíveis.

2.13 सति मूले तद्विपाको जात्यायुर्भोगाः

Existindo a raiz, ela frutifica em nascimento, duração de vida e experiências.

2.14 ते ह्लादपरितापफलाः पुण्यापुण्यहेतुत्वात्

Esses frutos são de alegria ou de tormento, conforme a causa seja virtuosa ou não virtuosa.

2.15 परिणामतापसंस्कारदुःखैर्गुणवृत्तिविरोधाच्च दुःखमेव सर्वं विवेकिनः

Para o sábio discriminativo, tudo é sofrimento — em razão da dor da transformação, da dor da tensão, dos saṃskāras e da contradição entre as operações das qualidades.

2.16 हेयं दुःखमनागतम्

O sofrimento que ainda não chegou deve ser evitado.

2.17 द्रष्टृदृश्ययोः संयोगो हेयहेतुः

A causa do que deve ser evitado é a união do Vidente com o Visto.

2.18 प्रकाशक्रियास्थितिशीलं भूतेन्द्रियात्मकं भोगापवर्गार्थं दृश्यम्

O Visto tem por natureza luminosidade, atividade e inércia; é constituído pelos elementos e pelos sentidos; tem por finalidade a experiência e a liberação.

2.19 विशेषाविशेषलिङ्गमात्रालिङ्गानि गुणपर्वाणि

Os estágios das qualidades (guṇas) são: o diferenciado, o indiferenciado, o somente indicado e o não indicado.

2.20 द्रष्टा दृशिमात्रः शुद्धोऽपि प्रत्ययानुपश्यः

O Vidente é apenas pura consciência, mas, embora puro, percebe através das modificações da mente.

2.21 तदर्थ एव दृश्यस्यात्मा

A natureza do Visto existe somente para o propósito do Vidente.

2.22 कृतार्थं प्रति नष्टमप्यनष्टं तदन्यसाधारणत्वात्

Embora destruído para quem realizou seu propósito, o Visto não está destruído para os demais, pois é comum a todos.

2.23 स्वस्वामिशक्त्योः स्वरूपोपलब्धिहेतुः संयोगः

A união é a causa do reconhecimento das naturezas próprias do possuidor e do possuído.

2.24 तस्य हेतुरविद्या

A causa dessa união é a ignorância.

2.25 तदभावात् संयोगाभावो हानं तद्दृशेः कैवल्यम्

Com a ausência da ignorância, a união cessa; isso é o abandono — e a liberação (kaivalya) do Vidente.


#### 2.26–2.29 — O caminho do discernimento

2.26 विवेकख्यातिरविप्लवा हानोपायः

O meio para esse abandono é o discernimento inabalável (viveka-khyāti).

2.27 तस्य सप्तधा प्रान्तभूमिः प्रज्ञा

Para esse discernimento, a prajñā se desdobra em sete estágios finais.

2.28 योगाङ्गानुष्ठानादशुद्धिक्षये ज्ञानदीप्तिरा विवेकख्यातेः

Pela prática dos membros do Yoga, com a destruição da impureza, surge a luz do conhecimento, até o discernimento pleno.

2.29 यमनियमासनप्राणायामप्रत्याहारधारणाध्यानसमाधयोऽष्टावङ्गानि

Os oito membros são: yama, niyama, āsana, prāṇāyāma, pratyāhāra, dhāraṇā, dhyāna e samādhi.


#### 2.30–2.45 — Yamas e Niyamas

2.30 अहिंसासत्यास्तेयब्रह्मचर्यापरिग्रहा यमाः

Os yamas são: não-violência (ahiṃsā), veracidade (satya), não-roubo (asteya), continência (brahmacharya) e não-possessividade (aparigraha).

2.31 जातिदेशकालसमयानवच्छिन्नाः सार्वभौमा महाव्रतम्

Esses, quando não limitados por classe, lugar, tempo ou circunstância, são o Grande Voto (mahāvrata).

2.32 शौचसन्तोषतपःस्वाध्यायेश्वरप्रणिधानानि नियमाः

Os niyamas são: pureza (śauca), contentamento (santoṣa), austeridade (tapas), autoestudo (svādhyāya) e entrega ao Senhor (Īśvara-praṇidhāna).

2.33 वितर्कबाधने प्रतिपक्षभावनम्

Quando os pensamentos contrários ao Yoga surgem, cultiva-se o oposto (pratipakṣa-bhāvana).

2.34 वितर्का हिंसादयः कृतकारितानुमोदिता लोभक्रोधमोहपूर्वका मृदुमध्याधिमात्रा दुःखाज्ञानानन्तफला इति प्रतिपक्षभावनम्

Os pensamentos contrários — como a violência e outros, sejam cometidos, induzidos ou aprovados, nascidos de cobiça, ira ou ilusão, em grau leve, médio ou intenso — têm por fruto sofrimento e ignorância sem fim. Assim é o pratipakṣa-bhāvana.

2.35 अहिंसाप्रतिष्ठायां तत्सन्निधौ वैरत्यागः

Quando ahiṃsā está estabelecida, há abandono da hostilidade na presença do praticante.

2.36 सत्यप्रतिष्ठायां क्रियाफलाश्रयत्वम्

Quando satya está estabelecida, os frutos das ações dependem da palavra do praticante.

2.37 अस्तेयप्रतिष्ठायां सर्वरत्नोपस्थानम्

Quando asteya está estabelecida, todas as riquezas se aproximam do praticante.

2.38 ब्रह्मचर्यप्रतिष्ठायां वीर्यलाभः

Quando brahmacharya está estabelecida, obtém-se grande vitalidade (vīrya).

2.39 अपरिग्रहस्थैर्ये जन्मकथन्तासम्बोधः

Quando aparigraha está firme, surge o conhecimento do como e do porquê dos nascimentos.

2.40 शौचात् स्वाङ्गजुगुप्सा परैरसंसर्गः

Da pureza (śauca) advêm a aversão pelo próprio corpo e o não-contato com o corpo alheio.

2.41 सत्त्वशुद्धिसौमनस्यैकाग्र्येन्द्रियजयात्मदर्शनयोग्यत्वानि च

Também surgem a pureza do sattva, a serenidade da mente, a concentração, o domínio dos sentidos e a capacidade para a visão do Si.

2.42 सन्तोषादनुत्तमसुखलाभः

Do contentamento (santoṣa) advém a obtenção da alegria suprema.

2.43 कायेन्द्रियसिद्धिरशुद्धिक्षयात् तपसः

Da austeridade (tapas), com a destruição da impureza, surge a perfeição do corpo e dos sentidos.

2.44 स्वाध्यायाद् इष्टदेवतासम्प्रयोगः

Do autoestudo (svādhyāya) advém a comunhão com a divindade escolhida.

2.45 समाधिसिद्धिरीश्वरप्रणिधानात्

Da entrega ao Senhor (Īśvara-praṇidhāna) advém o samādhi perfeito.


#### 2.46–2.55 — Āsana, Prāṇāyāma e Pratyāhāra

2.46 स्थिरसुखम् आसनम्

A postura (āsana) é firme e confortável.

2.47 प्रयत्नशैथिल्यानन्तसमापत्तिभ्याम्

Isso se realiza pelo relaxamento do esforço e pela absorção no infinito.

2.48 ततो द्वन्द्वानभिघातः

Daí, a não afetação pelos pares de opostos.

2.49 तस्मिन्सति श्वासप्रश्वासयोर्गतिविच्छेदः प्राणायामः

Estando isso estabelecido, o prāṇāyāma é a interrupção do movimento de inalação e exalação.

2.50 बाह्याभ्यन्तरस्तम्भवृत्तिर्देशकालसङ्ख्याभिः परिदृष्टो दीर्घसूक्ष्मः

A respiração é externa, interna ou suspensa; é regulada por lugar, tempo e número; ela é longa e sutil.

2.51 बाह्याभ्यन्तरविषयाक्षेपी चतुर्थः

O quarto tipo transcende os domínios externo e interno.

2.52 ततः क्षीयते प्रकाशावरणम्

Daí se dissolve o véu que cobre a luz.

2.53 धारणासु च योग्यता मनसः

E a mente torna-se apta para a dhāraṇā.

2.54 स्वविषयासम्प्रयोगे चित्तस्वरूपानुकार इवेन्द्रियाणां प्रत्याहारः

O pratyāhāra é como se os sentidos imitassem a natureza da mente ao se desconectarem de seus respectivos objetos.

2.55 ततः परमा वश्यतेन्द्रियाणाम्

Daí advém o supremo domínio dos sentidos.


Capítulo III — Vibhūti Pāda

॥ विभूति-पादः ॥ — Sobre os Poderes


#### 3.1–3.8 — Dhāraṇā, Dhyāna, Samādhi e Saṃyama

3.1 देशबन्धश्चित्तस्य धारणा

A dhāraṇā é a fixação da mente em um lugar.

3.2 तत्र प्रत्ययैकतानता ध्यानम्

O fluxo contínuo da atenção nesse lugar é o dhyāna.

3.3 तदेवार्थमात्रनिर्भासं स्वरूपशून्यमिव समाधिः

Quando apenas o objeto brilha, como se a forma própria da mente estivesse vazia, isso é samādhi.

3.4 त्रयमेकत्र संयमः

Os três juntos constituem o saṃyama.

3.5 तज्जयात्प्रज्ञालोकः

Pelo domínio do saṃyama, surge a luz da prajñā.

3.6 तस्य भूमिषु विनियोगः

O saṃyama é aplicado gradualmente nos planos.

3.7 त्रयमन्तरङ्गं पूर्वेभ्यः

Esses três são internos em relação aos membros anteriores.

3.8 तदपि बहिरङ्गं निर्बीजस्य

Mas são ainda externos em relação ao samādhi sem semente (nirbīja).


#### 3.9–3.15 — Transformações da mente

3.9 व्युत्थाननिरोधसंस्कारयोरभिभवप्रादुर्भावौ निरोधक्षणचित्तान्वयो निरोधपरिणामः

A transformação da cessação (nirodha-pariṇāma) é a correlação da mente no momento da cessação, quando os saṃskāras de dispersão são suprimidos e os de cessação emergem.

3.10 तस्य प्रशान्तवाहिता संस्कारात्

O fluxo tranquilo disso se deve aos saṃskāras.

3.11 सर्वार्थतैकाग्रतयोः क्षयोदयौ चित्तस्य समाधिपरिणामः

A transformação do samādhi é o declínio da atenção difusa e o surgimento da atenção unificada na mente.

3.12 ततः पुनः शान्तोदितौ तुल्यप्रत्ययौ चित्तस्यैकाग्रतापरिणामः

A transformação da unipolaridade é quando os estados que surgem e os que passam se tornam iguais.

3.13 एतेन भूतेन्द्रियेषु धर्मलक्षणावस्थापरिणामा व्याख्याताः

Por esse mesmo princípio são explicadas as transformações de dharma, lakṣaṇa e avasthā nos elementos e nos sentidos.

3.14 शान्तोदिताव्यपदेश्यधर्मानुपाती धर्मी

O substrato (dharmī) é aquele que acompanha as características — passadas, presentes e futuras.

3.15 क्रमान्यत्वं परिणामान्यत्वे हेतुः

A diferença na sequência é a causa da diferença nas transformações.


#### 3.16–3.37 — Conhecimentos obtidos pelo Saṃyama

3.16 परिणामत्रयसंयमाद् अतीतानागतज्ञानम्

Pelo saṃyama nas três transformações, surge o conhecimento do passado e do futuro.

3.17 शब्दार्थप्रत्ययानामितरेतराध्यासात् सङ्करस्तत्प्रविभागसंयमात्सर्वभूतरुतज्ञानम्

Pela confusão mútua entre palavra, objeto e conhecimento, há mistura; pelo saṃyama na separação desses três, surge o conhecimento da linguagem de todos os seres.

3.18 संस्कारसाक्षात्करणात्पूर्वजातिज्ञानम्

Pela percepção direta dos saṃskāras, surge o conhecimento das vidas anteriores.

3.19 प्रत्ययस्य परचित्तज्ञानम्

Pelo saṃyama na modificação mental alheia, surge o conhecimento da mente do outro.

3.20 न च तत्सालम्बनं तस्याविषयीभूतत्वात्

Mas não com seu objeto, pois este não é objeto daquele conhecimento.

3.21 कायरूपसंयमात्तद्ग्राह्यशक्तिस्तम्भे चक्षुःप्रकाशासम्प्रयोगेऽन्तर्धानम्

Pelo saṃyama na forma do corpo, com a suspensão de sua perceptibilidade, ocorre a não-captação pela luz dos olhos — e daí, a invisibilidade.

3.22 सोपक्रमं निरुपक्रमं च कर्म तत्संयमादपरान्तज्ञानमरिष्टेभ्यो वा

O karma pode ser ativo ou latente; pelo saṃyama sobre eles, ou pelos presságios, surge o conhecimento da morte.

3.23 मैत्र्यादिषु बलानि

Pelo saṃyama sobre maitrī e outros, surgem as forças correspondentes.

3.24 बलेषु हस्तिबलादीनि

Pelo saṃyama sobre as forças, surge a força do elefante e outras.

3.25 प्रवृत्त्यालोकन्यासात्सूक्ष्मव्यवहितविप्रकृष्टज्ञानम्

Pelo direcionamento da luz da percepção sutil, surge o conhecimento do sutil, do oculto e do distante.

3.26 भुवनज्ञानं सूर्ये संयमात्

Pelo saṃyama sobre o Sol, surge o conhecimento dos mundos.

3.27 चन्द्रे ताराव्यूहज्ञानम्

Pelo saṃyama sobre a Lua, surge o conhecimento da disposição das estrelas.

3.28 ध्रुवे तद्गतिज्ञानम्

Pelo saṃyama sobre a Estrela Polar, surge o conhecimento de seus movimentos.

3.29 नाभिचक्रे कायव्यूहज्ञानम्

Pelo saṃyama sobre o chakra do umbigo, surge o conhecimento da organização do corpo.

3.30 कण्ठकूपे क्षुत्पिपासानिवृत्तिः

Pelo saṃyama sobre o poço da garganta, surgem a cessação da fome e da sede.

3.31 कूर्मनाड्यां स्थैर्यम्

Pelo saṃyama sobre a nāḍī da tartaruga, surge a estabilidade.

3.32 मूर्धज्योतिषि सिद्धदर्शनम्

Pelo saṃyama sobre a luz na coroa da cabeça, surge a visão dos siddhas.

3.33 प्रातिभाद्वा सर्वम्

Ou, pelo prātibha (intuição espontânea), tudo.

3.34 हृदये चित्तसंवित्

Pelo saṃyama sobre o coração, surge o conhecimento da mente.

3.35 सत्त्वपुरुषयोरत्यन्तासङ्कीर्णयोः प्रत्ययाविशेषो भोगः परार्थत्वात्स्वार्थसंयमात्पुरुषज्ञानम्

A experiência é a não-distinção entre o sattva e o Puruṣa, os quais são absolutamente distintos; pelo saṃyama no que existe para si mesmo — e não para o outro — surge o conhecimento do Puruṣa.

3.36 ततः प्रातिभश्रावणवेदनादर्शास्वादवार्ता जायन्ते

Daí surgem percepções intuitivas do som, do toque, da visão, do sabor e do olfato.

3.37 ते समाधावुपसर्गा व्युत्थाने सिद्धयः

Esses poderes são obstáculos ao samādhi, mas perfeições no estado ordinário.


#### 3.38–3.55 — Poderes e Kaivalya

3.38 बन्धकारणशैथिल्यात्प्रचारसंवेदनाच्च चित्तस्य परशरीरावेशः

Pelo enfraquecimento das causas do aprisionamento e pela percepção dos canais (prācāra), a consciência pode entrar em outro corpo.

3.39 उदानजयाज्जलपङ्ककण्टकादिष्वसङ्ग उत्क्रान्तिश्च

Pelo domínio do udāna, não há contato com água, lama, espinhos e similares, e ocorre a ascensão.

3.40 समानजयाज्ज्वलनम्

Pelo domínio do samāna, surge o fulgor.

3.41 श्रोत्राकाशयोः सम्बन्धसंयमाद्दिव्यं श्रोत्रम्

Pelo saṃyama sobre a relação entre o ouvido e o éter, surge a audição divina.

3.42 कायाकाशयोः सम्बन्धसंयमाल्लघुतूलसमापत्तेश्चाकाशगमनम्

Pelo saṃyama sobre a relação entre o corpo e o éter, e pela samāpatti com a leveza do algodão, surge a locomoção pelo espaço.

3.43 बहिरकल्पिता वृत्तिर्महाविदेहा ततः प्रकाशावरणक्षयः

A modificação mental projetada para fora — a mahāvidehā — é inconcebível; por ela, o véu sobre a luz é destruído.

3.44 स्थूलस्वरूपसूक्ष्मान्वयार्थवत्त्वसंयमाद्भूतजयः

Pelo saṃyama sobre a forma grosseira, a natureza essencial, a sutileza, a pervasividade e o propósito dos elementos, surge a conquista dos elementos (bhūta-jaya).

3.45 ततोऽणिमादिप्रादुर्भावः कायसम्पत्तद्धर्मानभिघातश्च

Daí surgem a manifestação de poderes como a microminia (aṇimā), a perfeição do corpo e a não-afetação pelos dharmas dos elementos.

3.46 रूपलावण्यबलवज्रसंहननत्वानि कायसम्पत्

A perfeição do corpo (kāya-sampat) consiste em beleza de forma, graça, força e solidez adamantina.

3.47 ग्रहणस्वरूपास्मितान्वयार्थवत्त्वसंयमादिन्द्रियजयः

Pelo saṃyama sobre a apreensão, a forma essencial, a asmitā, a pervasividade e o propósito dos sentidos, surge a conquista dos sentidos (indriya-jaya).

3.48 ततो मनोजवित्वं विकरणभावः प्रधानजयश्च

Daí surgem a velocidade da mente, o estado além dos sentidos e a conquista da natureza primordial.

3.49 सत्त्वपुरुषान्यताख्यातिमात्रस्य सर्वभावाधिष्ठातृत्वं सर्वज्ञातृत्वं च

Apenas para aquele que tem o discernimento entre sattva e Puruṣa surgem a soberania sobre todos os estados de existência e a omnisciência.

3.50 तद्वैराग्यादपि दोषबीजक्षये कैवल्यम्

Pelo desapego mesmo disso, com a destruição da semente da impureza, surge o kaivalya.

3.51 स्थान्युपनिमन्त्रणे सङ्गस्मयाकरणं पुनरनिष्टप्रसङ्गात्

Quando convidado pelos seres celestiais, não deve haver apego nem orgulho — pois isso levaria novamente ao indesejável.

3.52 क्षणतत्क्रमयोः संयमाद्विवेकजं ज्ञानम्

Pelo saṃyama sobre o momento e sua sequência surge o conhecimento nascido do discernimento (viveka-ja jñāna).

3.53 जातिलक्षणदेशैरन्यतानवच्छेदात् तुल्ययोस्ततः प्रतिपत्तिः

Daí vem a capacidade de distinguir dois objetos similares que não podem ser diferenciados por classe, características ou localização.

3.54 तारकं सर्वविषयं सर्वथाविषयमक्रमञ्चेति विवेकजं ज्ञानम्

O conhecimento nascido do discernimento é transcendente, abrange todos os objetos e todos os tempos simultaneamente e é não-sequencial.

3.55 सत्त्वपुरुषयोः शुद्धिसाम्ये कैवल्यमिति

Quando há igualdade de pureza entre sattva e Puruṣa, isso é o kaivalya.


Capítulo IV — Kaivalya Pāda

॥ कैवल्य-पादः ॥ — Sobre a Liberação


#### 4.1–4.11 — Origem dos poderes e da mente

4.1 जन्मौषधिमन्त्रतपःसमाधिजाः सिद्धयः

Os poderes (siddhis) surgem por nascimento, por plantas medicinais, por mantras, por austeridade e por samādhi.

4.2 जात्यन्तरपरिणामः प्रकृत्यापूरात्

A transformação em outro tipo de existência se dá pelo transbordamento da natureza primordial.

4.3 निमित्तमप्रयोजकं प्रकृतीनां वरणभेदस्तु ततः क्षेत्रिकवत्

O fator instrumental não é a causa direta da natureza primordial; ele apenas remove os obstáculos — como um agricultor que abre as comportas.

4.4 निर्माणचित्तान्यस्मितामात्रात्

As mentes criadas surgem apenas do senso do eu (asmitā).

4.5 प्रवृत्तिभेदे प्रयोजकं चित्तमेकमनेकेषाम्

Uma única mente é o fator propulsor das muitas mentes nas diversas atividades.

4.6 तत्र ध्यानजमनाशयम्

Dentre essas, apenas a mente nascida da meditação é livre de depósitos kármicos.

4.7 कर्माशुक्लाकृष्णं योगिनस्त्रिविधमितरेषाम्

O karma do yogin não é branco nem negro; o dos demais é de três tipos.

4.8 ततस्तद्विपाकानुगुणानामेवाभिव्यक्तिर्वासनानाम्

Daí se manifestam apenas as vāsanās correspondentes ao amadurecimento de cada karma.

4.9 जातिदेशकालव्यवहितानामप्यानन्तर्यं स्मृतिसंस्कारयोरेकरूपत्वात्

Embora separadas por nascimento, lugar e tempo, há continuidade entre memória e saṃskāra, pois são de natureza idêntica.

4.10 तासामनादित्वं चाशिषो नित्यत्वात्

Essas vāsanās não têm começo, pois o desejo de existir é eterno.

4.11 हेतुफलाश्रयालम्बनैः सङ्गृहीतत्वादेषामभावे तदभावः

Sendo mantidas pela causa, pelo efeito, pelo substrato e pelo objeto de apoio, com a ausência desses, há ausência das vāsanās.


#### 4.12–4.24 — Natureza da realidade e da mente

4.12 अतीतानागतं स्वरूपतोऽस्त्यध्वभेदाद्धर्माणाम्

O passado e o futuro existem em sua própria natureza; apenas diferem em razão das vias dos dharmas.

4.13 ते व्यक्तसूक्ष्मा गुणात्मानः

Esses dharmas são manifestos ou sutis, e têm as qualidades (guṇas) como natureza.

4.14 परिणामैकत्वाद्वस्तुतत्त्वम्

A realidade de um objeto decorre da unidade de sua transformação.

4.15 वस्तुसाम्ये चित्तभेदात्तयोर्विभक्तः पन्थाः

Sendo o mesmo objeto e sendo diferente para mentes diferentes, os dois seguem caminhos separados.

4.16 न चैकचित्ततन्त्रं वस्तु तदप्रमाणकं तदा किं स्यात्

O objeto não depende de uma única mente; se não fosse percebido por ela, o que seria?

4.17 तदुपरागापेक्षित्वाच्चित्तस्य वस्तु ज्ञाताज्ञातम्

O objeto é conhecido ou desconhecido conforme a mente seja ou não tingida por ele.

4.18 सदा ज्ञाताश्चित्तवृत्तयस्तत्प्रभोः पुरुषस्यापरिणामित्वात्

As modificações da mente são sempre conhecidas pelo seu Senhor — o Puruṣa —, que é imutável.

4.19 न तत्स्वाभासं दृश्यत्वात्

A mente não é autoluminosa, pois é objeto de percepção.

4.20 एकसमये चोभयानवधारणम्

Tampouco podem os dois ser conhecidos ao mesmo tempo.

4.21 चित्तान्तरदृश्ये बुद्धिबुद्धेरतिप्रसङ्गः स्मृतिसङ्करश्च

Se uma mente fosse percebida por outra, haveria regressão ao infinito e confusão de memórias.

4.22 चितेरप्रतिसङ्क्रमायास्तदाकारापत्तौ स्वबुद्धिसंवेदनम्

Quando a consciência pura (citi), que não é transferível, assume a forma da mente, surge o autoconhecimento.

4.23 द्रष्टृदृश्योपरक्तं चित्तं सर्वार्थम्

A mente, colorida pelo Vidente e pelo Visto, abrange tudo.

4.24 तदसङ्ख्येयवासनाभिश्चित्रमपि परार्थं संहत्यकारित्वात्

Embora dotada de incontáveis vāsanās, a mente existe para o outro — pois age em conjunto.


#### 4.25–4.34 — O caminho até o Kaivalya

4.25 विशेषदर्शिन आत्मभावभावनाविनिवृत्तिः

Para aquele que vê a distinção, cessa o cultivo do sentido de si como ser separado.

4.26 तदा विवेकनिम्नं कैवल्यप्राग्भारं चित्तम्

Então a mente inclina-se para o discernimento e tende ao kaivalya.

4.27 तच्छिद्रेषु प्रत्ययान्तराणि संस्कारेभ्यः

Nos intervalos, surgem outras percepções a partir dos saṃskāras.

4.28 हानमेषां क्लेशवदुक्तम्

A eliminação dessas é como a eliminação das aflições, conforme descrito.

4.29 प्रसङ्ख्यानेऽप्यकुसीदस्य सर्वथा विवेकख्यातेर्धर्ममेघः समाधिः

Para aquele que mantém o discernimento pleno e permanente sem nenhum interesse egoísta, surge o samādhi chamado "nuvem de dharma" (dharma-megha).

4.30 ततः क्लेशकर्मनिवृत्तिः

Daí cessa o karma e as aflições.

4.31 तदा सर्वावरणमलापेतस्य ज्ञानस्यानन्त्याज्ज्ञेयमल्पम्

Então, com a remoção de todos os véus e impurezas do conhecimento, o que resta a ser conhecido é pouco diante da infinitude do conhecimento.

4.32 ततः कृतार्थानां परिणामक्रमसमाप्तिर्गुणानाम्

Então se completa a sequência de transformações das qualidades, que cumpriram seu propósito.

4.33 क्षणप्रतियोगी परिणामापरान्तनिर्ग्राह्यः क्रमः

A sequência é aquilo que corresponde a momentos, apreensível no término de uma transformação.

4.34 पुरुषार्थशून्यानां गुणानां प्रतिप्रसवः कैवल्यं स्वरूपप्रतिष्ठा वा चितिशक्तिरिति

O kaivalya é o retorno das qualidades ao seu estado original, esvaziadas do propósito do Puruṣa — ou é o repouso da potência da consciência pura (citi-śakti) em sua própria natureza.


॥ इति श्री पातञ्जल-योग-सूत्राणि ॥

॥ Assim terminam os Yoga Sutras de Patañjali ॥

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